Cursor frenético
Um vazio se apossou da minha mente. Eu não conseguia escrever nenhuma palavra que valesse a pena; nenhuma me satisfazia, nenhuma era boa o suficiente. Fiquei com a sensação de que as coisas só voltariam a acontecer se eu escrevesse algo, como se a minha vida dependesse disso. A última linha que eu tinha escrito estava ali: reticente, imóvel, curiosa, esperando pela próxima, embora as palavras já não fossem mais minhas amigas. Aquela repentina falta de criatividade me deixou estático. Só os meus olhos se mexiam, indo de um lado para o outro da tela. Minha atenção voltou-se ao cursor, que piscava no final da linha. De repente, ele tinha se tornado o meu algoz, denunciando insistentemente a minha falta de imaginação. Eu podia rolar a página para cima tentando escondê-lo lá embaixo, fora das minhas vistas, podia minimizar a tela, ou até mesmo fechar o arquivo, mas eu sabia que ele continuava piscando latentemente, mesmo que invisível, em algum lugar daquele mar de impulsos magnéticos. Pisc...